Zaqueu subiu só para ver
Ele queria olhar de longe, sem ser notado. Jesus parou embaixo da árvore e chamou ele pelo nome.
4 min de leitura
A gente aprendeu essa história como musiquinha de escola dominical, o que fez a gente perder o tamanho dela.
Zaqueu era chefe dos publicanos em Jericó. Publicano era o judeu que trabalhava cobrando imposto para Roma, ou seja, para quem ocupava o país dele. E o sistema funcionava assim: Roma cobrava um valor, e o que o publicano arrancasse a mais ficava com ele.
Era um homem rico à custa de apertar o próprio povo. Não era um mal-entendido, era o trabalho dele.
Por que a árvore importa
O texto diz que ele era baixo e que a multidão era grande, e por isso ele subiu numa figueira brava.
Mas repara no que uma árvore oferece além de altura: distância.
Lá em cima ele conseguia ver sem ser visto. Podia observar aquele homem de quem todos falavam sem precisar encarar a multidão que odiava ele, sem ter que ouvir os comentários, sem se expor.
Ele não subiu para ser notado. Subiu para olhar de longe, do jeito que a gente faz quando quer se aproximar de Deus sem ninguém saber.
O que aconteceu
Jesus estava de passagem por Jericó. Estava indo para outro lugar.
Chegou embaixo daquela árvore, olhou para cima e chamou ele pelo nome. Disse que ia à casa dele naquele dia.
Duas coisas aí são enormes.
A primeira é o nome. Ninguém tinha apresentado Zaqueu. Ele estava escondido em cima de uma árvore e mesmo assim foi chamado pelo nome próprio.
A segunda é a casa. Naquela cultura, entrar na casa de alguém e comer com a pessoa não era só uma visita. Era declarar publicamente que você aceitava aquela pessoa. Por isso o povo murmurou na hora.
A reação dele
Zaqueu não fez oração bonita nem discurso de conversão. Ele fez conta.
Disse que ia dar metade dos bens dele aos pobres, e que a quem ele tivesse roubado, devolveria quatro vezes mais.
Quatro vezes era a pena máxima prevista na lei para roubo. Ele se aplicou a pena mais pesada, por vontade própria, sem ninguém exigir.
O que isso tem a ver com você
Muita gente está em cima da árvore. Acompanha de longe, ouve pregação no fone, lê no escuro, chora sozinho no carro, e não se aproxima porque acha que seria constrangedor demais ser visto ali.
A história diz que o olhar veio antes do pedido. Ele não desceu para ser aceito. Ele foi aceito e por isso desceu.
E não foi exposição. Foi um nome dito em voz alta por alguém que estava só de passagem e resolveu parar.