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Cristão eu sou
sobre travar

O que a gente chama de preguiça

Tem coisa que você não faz há meses e se chama de preguiçoso por isso. Na maioria das vezes não é falta de vontade.

5 min de leitura

Tem uma tarefa parada na sua vida há meses. Uma ligação que você não faz. Um exame que você não marca. Um currículo que você não manda. Uma conversa que você não tem.

E provavelmente você já se chamou de preguiçoso, desorganizado ou relaxado por causa disso.

Só que repara numa coisa: você trabalha, cuida de gente, resolve mil assuntos difíceis toda semana. Preguiça não escolhe uma tarefa específica e deixa o resto funcionando.

O que costuma estar embaixo

Enquanto a tarefa não é feita, o resultado dela ainda não existe.

E enquanto o resultado não existe, você ainda pode ser a pessoa que daria certo. O exame ainda não deu ruim. A vaga ainda não te recusou. A conversa ainda não terminou mal.

Não fazer é um jeito de não perder. Só que é também um jeito de nunca ganhar.

Por isso a cobrança não resolve. Você pode se xingar a semana inteira que aquilo continua parado, porque o problema nunca foi vontade.

Como isso aparece no dia

Costuma aparecer assim: você senta para fazer, sente um incômodo no corpo, e em dois segundos está com o celular na mão sem nem ter percebido que pegou.

Esse pulo do incômodo para a distração é rápido demais para você notar. Por isso parece preguiça. Mas é fuga.

O que costuma ajudar

Primeiro, trocar a pergunta. Em vez de por que eu não consigo, pergunte o que eu tenho medo de descobrir se eu fizer isso. Responda em voz alta, sozinho no carro se precisar. Só nomear já tira força.

Segundo, diminuir o tamanho. O cérebro não trava em tarefa pequena. Não é mandar o currículo, é abrir o arquivo. Não é fazer o exame, é achar o telefone da clínica.

Terceiro, contar para alguém. Medo guardado cresce. Medo dito em voz alta encolhe.

Tem isso na Bíblia também

Quando Deus chamou Moisés na sarça ardente, a primeira reação dele não foi empolgação. Foi uma pergunta: quem sou eu para ir falar com o faraó?

Depois ele alegou que não sabia falar direito, e por fim pediu que Deus mandasse outra pessoa.

Aquilo não era preguiça. Era um homem apavorado com o tamanho do que estava sendo pedido.

E a resposta que ele recebeu não foi um elogio às qualidades dele. Foi uma frase sobre companhia: eu estarei contigo.

Às vezes é isso que falta. Não é mais força de vontade. É parar de encarar sozinho.